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23 de February de 2015

“A minha vida mudou para melhor”, afirma beneficiada pelo programa Morada Nova

Na nova morada, famílias pagam menos com a garantia de ser donas do imóvel ao final das prestações

Na nova morada, famílias pagam menos com a garantia de ser donas do imóvel ao final das prestações

Decorridos dois anos, muitas famílias beneficiadas com uma casa no Residencial Alvorada, em Vilhena, construído numa parceria do Estado com a União, por meio dos Programas Minha Casa Minha Vida e Morada Nova, dizem ainda não acreditar que têm uma casa própria. Quem pôde fez melhorias, como ampliação e muros. Mas a maioria que não pôde acrescentar benfeitoria planeja a construção de pelo menos mais um cômodo, como diz a dona de casa, Geralda Gonçalves, que tem por meta aumentar um quarto para as crianças.

Antônio Arlindo conta que antes de contrair hanseníase tinha força e enfrentava qualquer tipo de trabalho pesado. “Eu cavava poço, fossa, roçava juquira e nunca me cansava”. A doença freou os seus hábitos e inibiu a sua vida profissional e, mesmo depois de liberado do tratamento com o laudo de cura, não pode fazer o que antes era sua rotina. “A gente fica curado, mas a saúde nunca mais volta a ser a mesma”. Antes do Morada Nova, ele pagava R$250 em um imóvel na Vila Operária, que nem se compara à nova casa. A prestação de R$31,10 está atrasada, ele confessa, mas diz que pretende logo regularizar porque a casa onde mora é uma bênção em sua vida. “As coisas estão muito difíceis, mas sem esta casa tudo estaria pior”, constata.

"Minha vida mudou para melhor", diz Ciliane

“Minha vida mudou para melhor”, diz Ciliane

Com investimentos de R$ 10,5 milhões, o Morada Nova mudou a vida de muitas pessoas, como a de Ciliane Fernandes Santos, uma das primeiras contempladas. “A minha vida mudou para melhor”. Por ter deficiência visual, ela conta que recebe um beneficio da Previdência e com isso pode manter em dia o pagamento da prestação da casa no valor de R$ 31, e da mobília que comprou utilizando o programa federal Minha Casa Melhor. A filha Tainara, de 11 anos, está matriculada na Escola Maria Arlene Toledo, onde cursa o 6º ano. “O que vivemos hoje não se compara à vida de antes”, relata.

A vizinha de Antônio, Graciele Novaes, está desempregada, mas diz que está muito esperançosa de conseguir uma nova guinada na vida. “Vou partir para o empreendedorismo”. Graciele é salgadeira profissional e está formando sociedade com uma amiga, que está comprando os equipamentos e materiais. “Logo, logo nossa fábrica de salgados vai estar funcionando, aqui mesmo”, comemora.

Segundo ela, se ainda estivesse no antigo bairro, o Cristo Rei, talvez não pudesse montar um negócio. “A casa era pequena e o aluguel de R$ 350 alto demais para nossa renda”. Com o novo negócio ela espera regularizar o pagamento no Residencial Alvorada, onde paga R$ 79,95, por mês, além da mobília adquirida pelo Minha Casa Melhor.

“Deus tem sido bom para mim e não posso perder as oportunidades”, afirma Graciele, que aponta como uma das fragilidades do bairro a falta de transporte coletivo. “Esses dias começou a passar um circular, mas ele só passa três vezes ao dia”. O filho estuda na Apae e conta com o transporte que a instituição destina aos alunos. Quanto à filha, aprovada no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (Ifro), para o curso de edificação, precisa sair de casa cedo para embarcar no ônibus na avenida Paraná, nas proximidades. “Aqui é muito bom, mas precisamos de serviços, como dos Correios e transporte coletivo”.

Graciele pagava R$ 350 de aluguel e agora R$ 79,95

Graciele pagava R$ 350 de aluguel e agora R$ 79,95

Apesar do muro ao redor das casas, ela diz que desconhece atos de violência no conjunto, mas que não pode dizer o mesmo do percurso feito pelos moradores do residencial até a saída do bairro. Segundo ela, as crianças têm sido vítimas de ladrões que roubam bicicletas e celulares.

A gerente regional da Secretaria de Estado de Assistência Social (Seas), Solange Bernardo, explicou que cada um dos entes tem uma parte no projeto do residencial, que envolve a União, Estado e município; e que os serviços de infraestrutura, como escolas, creches e equipamentos públicos são de competência do município. Ela entende que esses serviços já estão sendo providenciados pela administração.

O número de crianças no Residencial Alvorada é grande. Na casa de Fabiana Faria, são três filhos: Guilherme, de 5; Aline, de 7; e Geovani, de 10. Na casa, a bisavó Geralda Gonçalves, cuida de tudo, enquanto a neta Fabiana trabalha de diarista para garantir o sustento da família. Recentemente a casa foi arrombada e furtada uma TV de 40 polegadas, que ainda está sendo paga. Para evitar novas surpresas, a avó, sempre que necessário, é convidada pela neta para ficar em sua casa. Para Geovani, morar no conjunto “é legal”, pois fez novas amizades.

Rosilene de Moura fabrica sabão líquido em casa e vende em toda Vilhena. “A gente sai de bicicleta e roda enquanto aguenta”, conta. O produto é simples. Feito à base de soda cáustica e álcool, e tem assegurado a sobrevivência da família. A prestação da casa é R$ 25, mais R$ 119 da mobília nova. Os filhos de Rosilene foram excluídos de um programa social e ela diz que está preocupada de não conseguir manter as contas em dia. “Por enquanto está tudo sob controle”. A filha Jociane, de 13 anos, já ajuda na produção do produto. Enquanto os menores, Agner, de 8; e Pedro, de 6, só olham.

Com a economia obtida com a casa própria, a mãe de Juan planeja levá-lo para tratamento em Brasília

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O adolescente Juan Pablo, de 13 anos, é cadeirante. Pela sua condição, a família também foi uma das primeiras a ser beneficiada com uma morada nova. Aluno do 6º ano da Escola Genival Nunes da Costa, o transporte dele é garantido. “O ônibus escolar pega em casa”, diz a prima Laiane Silva.

Se Pablo não pode sair para brincar, os colegas vêm até sua casa. Ao redor do adolescente, eles fazem bagunça, jogam e envolvem Pablo nas atividades. “Desde que deixou de pagar aluguel, a mãe do garoto está economizando para levá-lo a Brasília, no Hospital Sarah Kubitschek, pois acredita que lá haja tratamento para que o filho possa ter a oportunidade de andar”, relata Laiane.

No bairro Jardim Primavera, onde a família morava antes, o valor do aluguel era de R$ 300, trocados pela prestação equivalente a pouco mais de 10% desse valor, R$ 32. “Se a minha tia não tivesse recebido esta casa, ela não podia nem sonhar em tratar o Juan em outra cidade”, diz a jovem de 17 anos.

PRESENTE DE NATAL

As casas do Residencial Alvorada foram entregues aos moradores em dezembro de 2012, o que foi considerado à época um verdadeiro presente de Natal. A área antes descampada, já tem arbustos que vão crescendo aos poucos. Discretos comércios também já se mostram ao redor. A presença de estranhos atrai a atenção dos moradores, que discretamente observam quem passa e quem chega. Novos loteamentos estão se formando na região, mas ainda é possível observar que outrora o local abrigava sítios e chácaras. A Seas, junto com a prefeitura, foi responsável por inscrever e selecionar as famílias contempladas. Hoje, a ação da Secretaria é mais de acompanhamento. “Sempre que somos solicitados vamos lá para conversar com moradores e ajudar no possível”, afirma Solange Bernardo. Segundo ela, o governo estadual assumiu compromisso, por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), que delega assistência com visitas e palestras para os moradores. O mesmo acordo prevê que as questões sociais e de infraestrutura são da alçada do município, mas que o Estado não se exime de cooperar.

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Assistência Social, Brasil, Economia, Entrevista, Governo, Habitação, Inclusão Social, Infraestrutura

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moradia Vilhena

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